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Portugal
2012
Boca do Lobo
Estes móveis não são para arrumo

Produtos de nicho, com um look irreverente e a qualidade portuguesa de outros tempos: foi esta a fórmula encontrada pela Boca do Lobo para singrar no mercado do mobiliário, em 2005. Amândio Pereira, CEO do grupo que detém esta marca, ajuda-nos a perceber o que está por trás do êxito destes móveis especiais que se impuseram à escala mundial.

A ligação Lisboa-Washington D.C. via Skype fez-se sem dificuldade. Do outro lado, na capital norte-americana, Amândio Pereira reservara alguns minutos para uma conversa com a NESTA Magazine, em torno da marca cabeça de cartaz do grupo Menina Design: a Boca do Lobo. “É a partir daqui que coordeno a minha equipa em Portugal; estamos sempre em contacto”, explicou-nos o CEO da empresa, que conhece bem o poder da web, também no que diz respeito à comunicação do negócio. É com a rede – instantânea, eficaz, global – que as suas marcas têm conseguido chegar aos quatro cantos do mundo, mesmo sem a presença de representantes e lojas físicas nos diferentes locais em que semearam admiradores. “É a única forma que se tem de lutar com os titãs.”

Tudo começou com o design de interiores. Depois, a necessidade de implementar obras nesse contexto levou Amândio Pereira e o sócio Ricardo Magalhães a virarem-se para as madeiras e a criarem a Preggo – uma marcenaria, apoiada em profissionais com vasta experiência, para a produção de peças à medida de cada cliente.

A ambição de ir mais além acabou por ser o rastilho para a colocação em marcha de um projeto de maior envergadura. “Percebemos que as obras não eram bem o nosso futuro, que Portugal não iria ter muito mais caminho por aí. E que tínhamos de nos lançar à escala mundial”, conta Amândio. Era tempo de criarem produtos standard que lhes dessem uma margem maior, rentabilizando os recursos da empresa. Nascia assim a Boca do Lobo – no entanto, ainda sem pretensões de se tornar uma marca exclusiva. O próprio mercado teve muita influência no modelar dessa identidade e ditou grande parte da irreverência da marca.

O famoso aparador Soho, munido de várias gavetas coloridas, foi a primeira das tão extravagantes como dispendiosas peças da marca, propositadamente criado para uma apresentação da coleção de arranque. Fez-se luz: “Reparámos não só que o preço não era problema mas também que havia um espaço para produtos realmente muito diferentes.” Hoje, o mercado premeia a marca por fazer “estas peças um bocadinho ‘esquisitas’, que se estranham mas depois se entranham”, constata Amândio Pereira, sem reservas.

A Boca do Lobo faturou perto de 1,4 milhões de euros em 2011, um valor que sobe para os quatro milhões se falarmos do grupo Menina Design, na globalidade das marcas que lhe estão associadas. E sempre, sem exceção, a produzir móveis que não foram feitos com a função principal de albergar toalhas ou serviços de loiça, ainda que também possam servir estes propósitos.“Quem compra está a adquirir uma peça de arte com passado, algo que já não está assim tão disponível no presente”, revela o responsável realçando a exigência na produção das peças. Mais diz que quem procura a Boca do Lobo “é alguém que está à espera de se satisfazer emocionalmente em casa. Não queremos mobilar a casa de ninguém, queremos embelezar a casa de todos”, assume. Atualmente, a Boca do Lobo já mora em casas de 52 países espalhados pelo mundo.

Investir em inovação

O Menina Design foi criado com capitais próprios, num financiamento de dez mil euros recuperados em três meses graças a projetos na área de interiores. A partir daí, tem sido sempre a somar: “Construímos a empresa a pulso. Tudo o que temos hoje foi feito com o dinheiro que o negócio gerou e tudo o que ganhámos voltámos a investir na empresa.” O objetivo dos sócios é atingir uma estrutura e portefólio de marcas que lhes permitam encarar o futuro com segurança e continuar a empregar. Com cerca de 40 colaboradores, a empresa conta fechar o ano com 60 trabalhadores.

“Ter a capacidade de ajudar o País é um bom prémio para quem é empreendedor”, afiança Amândio Pereira, que não se refere apenas a empregar pessoas. É que uma das missões fundamentais do grupo passa por melhorar a imagem do design português, objetivando com a insígnia Portugal Brands a promoção de marcas nacionais de excelência.

Se empreender compensa? “Todo o empreendedorismo é compensador quando temos a capacidade de acrescentar alguma coisa ao mundo. Com um projeto que realmente vai mudar as vidas das pessoas, muita capacidade de trabalho e inovação, não há que ter medo de investir.” E o grupo Menina Design vai continuar a fazê-lo, perspetivando a abertura de uma loja Boca do Lobo – a primeira de muitas – em Nova Iorque, possivelmente ainda este ano. Também a crescer está a Delightfull, a marca de iluminação que tem dado que falar com os seus candeeiros inspirados em ícones como Amy Winehouse e outros artistas.

Podiam os dois empresários abrandar no ímpeto de criar coisas novas? Poder podiam, mas não era a mesma coisa. “Não somos muito adeptos daquela ideia de que mais do que trabalhar muito é preciso trabalhar bem. Somos mais da ideia de trabalhar muito e bem.”

Texto: Margarida Reis
Fotografia: Boca do Lobo

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